terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Marque em negrito as coisas que você fez na infância

  1. A vela do bolo de aniversário nunca apagava no primeiro sopro.
  2. Dois namoradinhos, só faltava dar beijinho.
  3. Já tentei imitar a risada do Pica Pau.
  4. Já gritei pra loira do banheiro vir me pegar no banheiro da escola e sai correndo.
  5. Quando meus dentes estavam moles, eu ficava cutucando eles com a língua.
  6. Raspava isopor na parede para fazer “neve”.
  7. Fui a china-na, saber como era a china-na, todos eram china-na, lig lig china-na!
  8. Já fiz uma tatuagem com a figurinha que vinha no chiclete.
  9. Misturava os shampoos para poder criar um novo tipo de shampoo enquanto tomava banho.
  10. Tinha medo do boneco Fofão e do Chuck – Boneco Assassino.
  11. Ficava treinando minha assinatura para que quando eu crescesse, pudesse usar.
  12. Eu sempre acabava comendo a pasta “Tandy” de tutti frutti, de morango ou de uva ao invés de usá-la para escovar os dentes.
  13. Já tive uma amoeba.
  14. Já tive um amigo imaginário.
  15. Morria de medo do Homem do Saco.
  16. Enquanto isso na cidade de Townsville…
  17. Tive uma maquininha de sorvetes da Eliana.
  18. Tênis com luzinha era essencial.
  19. Sempre tive curiosidade de ver a cara da secretária do prefeito de “As meninas Super Poderosas”.
  20. No primeiro dia de aula, a professora sempre pedia para fazermos um desenho sobre o que fizemos nas férias.
  21. Quando era menor, queria que existisse um Big Brother para crianças.
  22. Babaloo foi à escola aprendeu o beabá, a danada professora ensinou a namorar:7 e 7 são 14 com + 7, 21 tenho 7 namorados, mas não gosto de nenhum.
  23. Fazia desenhos nos vidros dos carros empoeirados.
  24. Comprava um chiclete que vinha numa bandejinha que era ovinhos de dinossauro.
  25. Sonhava em vender limonada na porta de casa.
  26. Eu sempre torcia para a barriga da Poh dos Teletubbies ser a escolhida para passar o filminho.
  27. Sempre achei a Sam das “Três Espiãs Demais” a mais bonita e a mais inteligente.
  28. Eu tinha canetas com glitter e que tinham cheiro de frutas.
  29. Sempre que o avião passava eu dava tchau pra ele.
  30. Sempre tinha uma atividade escolar que tínhamos que recortar letra por letra das revistas para montar palavra.
  31. Sonhava em fazer uma guerra de travesseiros que saíssem um monte de plumas como nos filmes.
  32. Minha mãe sempre dizia: Nunca aceita balas ou doces de estranhos na rua.
  33. Os meninos queriam ser jogadores de futebol e as meninas modelos.
  34. Já tive uma piscina azul de plástico.
  35. Já fingi que estava dormindo quando minha mãe foi no quarto, pra ela ficar com dó e não me acordar.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Pra ti

Lá vou eu manter-me à tua volta, brincando com meu próprio coração enquanto tu olha para frente e para trás, me enxergando de todos os ângulos. Até chega um momento em que te vejo aqui refletido em mim, parece comigo, esse pesinho leve dentro da minha vida tão sem graça.
E faz valer a pena, mesmo tão cheio de fantasia, eu cego meus olhos pra conseguir absorver tua alegria e por consequencia sorrir te fazendo sorrir em seguida também, e assim roubando mais um pouco de tua alegria pra mim, e eu sei, meu sorriso te alegra, teu sorriso me alegra.
Vou aí te encontrar sem medir esforço, te busco até no fim do mundo, e eu já provei, que pra te deixar feliz eu corro o máximo que puder. Pode parecer uma grande mentira, pode parecer nada, pode nem existir pra ninguém, o importante é o que permanece na nossa mente, essa ligação indestrutível que eu nem pensava que existia, e por um riso nos mantemos mais facilmente ainda ligados um ao outro, por que é isso que temos de melhor, nosso poder de arrancar risos e sorrisos, a força do nosso humor e o tamanho da nossa simplicidade. 

sábado, 3 de dezembro de 2011

Uma culpa do lado errado

Meus olhos estão todos carregados, esperando o momento certo pra desabar. Ardem como se houvesse fogo neste lugar. Mas não há nada, nada além de ar.
Dois anos para serem esquecidos, por um coração de muito amor abastecido. Mas nunca houve fogo, foi tudo sempre um jogo.
Os caminhos parecidos, sentimentos falecidos, com uma alegria pra viver, e um modo impossível de esquecer. Não quero agora mais temer, por não existir mais um querer, cansei de tudo que me fascinava, por que tudo isso me enganava.
Mentindo o tempo todo, negando suas mentiras, um alguém acreditando, fascinando e se enganando.
E agora, com meus olhos desabando, por que o momento certo está chegando, lhe digo aquilo que sempre esperei escutar no ouvido:
Perdão, perdão, por tudo oque eu fui, do mais fundo do meu coração. Por lhe ter feito perder tanto tempo com alguém que não sabe ser passatempo. Me perdoe, por estar lhe pedindo esse perdão, que nunca me será cedido, por que não devia ter pedido.
Quando um dia eu souber o que é viver, eu lhe digo, e quando eu encontrar alguém que me faça ser importante, à todo dia, e me traga alegria, à cada palavra, à cada vez que escutar sua voz, lhe digo também, e então lembrará, mas eu sei, assim mesmo, não se importará.
Estou deixando que meus olhos inundem o meu rosto, e lembrando das vezes que me ignorou por gosto, e das vezes em que me deixou sozinha, quando a única ajuda era a sua que eu tinha.
 E essas lágrimas que pesam no meu corpo, um dia irão embora. E elas não vão mais voltar, até que exista alguém que valha a pena amar.

R. Schmitt

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Onde você está?

Hey, você tá me escutando? Eu tenho tantas coisas pra te contar, mas oque aconteceu? Meu amor... como é ruim sem tua companhia pra me confortar! Lembra daquele garoto? Aquele que eu te falava todos os dias... lembra? Pois então! Ele tá acabando comigo, e eu não sei oque fazer. Volta aqui pra me dar uma solução, vem. É um pouco mais fácil se você me ajudar. Tem também essas coisas da família... tá tudo tão fora do lugar aqui na vida, Pretinho. Tô num momento insuportável, nesses em que você costumava estar junto comigo, sabe? Só que eu olho pros lados, procuro nos cantos, e ninguém aparece pra saber como eu estou. Ninguém, cadê você? Tem tanta pressão em cima de mim, tanta coisa pra fazer que eu nem sei por onde começar, tanta gente pra entender, tanto sentimento pra esquecer. E saudades de você. Não quer me visitar? Tem bastante café aqui, sabe, ele tem sido um companheiro quase tão fiel quanto você. Mas não é o tipo perfeito de companhia-fiel, o que eu preciso ele não faz: me tirar da solidão. Eu tô falando tão controlada, olha só essa minha voz... mas eu tô perdida e não existe mais nenhum caminho pra mim. Me ajuda, vem me ajudar, me tira daqui.

domingo, 27 de novembro de 2011

A little bit longer

Recebi as notícias hoje, o médico disse que tenho de ficar
Um pouco mais e eu ficarei bem
Quando pensei que tudo tivesse sido feito,quando pensei que tudo tivesse sido feito
Um pouco mais e eu ficarei bem
Mas você não sabe o que tem até perder
E você não sabe como é se sentir tão triste
E todas as vezes que você sorri ou ri você brilha

Você nem mesmo sabe.

Todo esse tempo passa, e ainda não há um por que
Um pouco mais e eu ficarei bem

Esperando por uma cura, mas nenhuma delas está certa
Um pouco mais e eu ficarei bem

Mas você não sabe o que tem até perder,
E você não sabe como é se sentir tão triste
E todas as vezes que você sorri ou ri você brilha

Você nem mesmo sabe, não, não
 (...)

Então vou esperar o reino chegar
Todos os altos e baixos acabarem
Um pouco mais e eu ficarei bem
Eu ficarei bem
 
(Nicholas Jonas/Jonas Brothers)
Resolvi postar essa música aqui por que eu estava lembrando dos shows que eu fui. Tanto no dos Jonas Brothers como o do Nicholas, essa foi a música em que eu mais me emocionei. Me vem uma sensação muito forte, que inclusive chega a doer. E não é qualquer música que consegue fazer oque essa música faz comigo. g.g Talvez seja coisa de fã também, mas mesmo eu não tendo o problema que o Nicholas tem pra ter escrito esta música, eu me identifico completamente. Completamente mesmo. E eu gostaria de compartilhar. Tem muita gente que não gosta nem de escutar as palavras "Jonas Brothers", né, mas tudo bem. Pra quem nunca escutou,  aqui embaixo. 
 
 
  
A nível dessa tenho mais algumas: Eternity, Please be mine,  Hello beautiful, e Appreciate (nicholas).

Odeio o modo como fala comigo
E como corta o cabelo
Odeio como dirigi o meu carro
E odeio seu desmazelo
Odeio suas enormes botas de combate
E como consegue ler minha mente
Eu odeio tanto isso em você
Que até me sinto doente
Odeio como está sempre certo
E odeio quando você mente
Odeio quando me faz rir muito
Ainda mais quando me faz chorar...
Odeio quando não está por perto
E o fato de não me ligar
Mas eu odeio principalmente
Não conseguir te odiar
Nem um pouco
Nem mesmo por um segundo
Nem mesmo só por te odiar.



(10 things I hate about you)

Uma carta solitária

Eu estou escrevendo pra lhe dizer o quão seria importante que você estivesse aqui, agora. Tem sido muito difícil conseguir controlar essa confusão, mais difícil ainda é ter que me mover nessa escuridão. Será que você faz alguma ideia de como eu me sinto sem você por perto pra me transmitir força? De quantas vezes por dia eu tenho vontade de cair no choro, por não ter ninguém que me entenda da mesma forma que você me entende? Não, você não faz a menor ideia, porque se fizesse, estaria aqui. Nada mais é o mesmo, nem um pingo de alegria eu senti nos últimos dias. Tem feito muito frio, sabia? Aqueles dias em que seria ótimo se você viesse aqui pra gente assistir filmes a tarde inteira e tomar chocolate quente. Por que diabos você teve que ir? Volta pra cá, não se esconda de mim! Se pelo menos você pudesse escutar o que eu tenho pra lhe dizer. Se pelo menos me desse uma chance de lhe provar que nada eu sou se não tiver na minha vida a única pessoa que acredita que eu posso ser quem eu quero ser. Se pelo menos, uma última vez, eu pudesse lhe abraçar bem forte. Você sabe, não sabe? Nunca vai ser fácil dormir sem um abraço seu. E enquanto eu viver, eu vou estar lhe esperando, sempre no mesmo lugar, por que uma ligação como a nossa é a coisa mais rara e bonita que pode existir, então por favor, não me deixe assim, perdida no escuro, como eu estou agora. Vem logo pra me ajudar, chega de brincar! Entenda de uma vez por todas: sem você, minha vida não é vida.

R. Schmitt

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Querida, sorria loucamente pra mim

Daí te vejo sorrindo que nem uma tola - aos olhos dos outros -, sem pensar em nada assim muito lúcido, é um sorriso louco e lindo de não querer ver mais nada no mundo além dele. Aí penso em te pegar pelas mãos e correr adiante sem parar por nada, te levar pro lugar mais alto que existir na cidade pra gente ficar sorrindo como loucos do jeito que te vi sorrir loucamente ainda ontem bem lá no topo de tudo, acima de todos. E sonho então à noite contigo de um jeito que me faz acordar sem conseguir respirar, por que não te tenho aqui, e se eu tivesse talvez nem aqui estivesse. Um dia ainda vou conseguir te raptar rapidinho pra te carregar no meu colo e te dizer palavras bonitas de alguém que viu teu sorriso loucamente extraordinário de tão lindo e vou te pedir um abraço quando eu te soltar no chão lá no topo da cidade, acima de todos, por que não dá pra viver sem pelo menos uma vez ter te abraçado, pra sentir esse sorriso bem perto do meu ouvido, e te dizer obrigado, obrigado por ter sido tão ilúcida ao sorrir.

R. Schmitt

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Aqueles olhos

Aquela noite foi um inferno. Não sei que idade eu tinha, não lembro o dia nem que cor era o lençol da minha cama, mas tem isso que eu posso afirmar com  toda a certeza de um coração e uma alma romântica: aquela noite foi um inferno.
Acordei chorando no meio da madrugada, as luzes pareciam fogo e as bonecas me aterrorizavam. Eu o vi pela primeira vez naquela noite, e disso eu lembro  como se tivesse sido ontem: aqueles olhos escuros e fortes me observando e se aproximando lentamente, seus traços faciais apontavam uma expressão que eu não sabia definir, por que o que eu conseguia ver naquele rosto era muito mais do que apenas um sentimento, eu vi decepção, rancor, medo, angústia, ódio, desprezo, desconfiança, tristeza, solidão, e todas essas coisas ruins que é possível de perceber quando acontece com as pessoas.
Mas o que mais me apavorou, diante disso tudo, é que não houvesse amor. Nem se quer um minúsculo sinal de amor. E aqueles olhos continuavam me olhando, sem parar, como se alguma coisa quisessem me dizer, mas olhos não falam. Eu tinha a sensação de estar esperando que algo acontecesse comigo, algo como eu cair bem na frente dele de joelhos e começar a sangrar pelos olhos, pelos cabelos... mas não foi o que  aconteceu. Eu continuei intacta onde eu estava, sendo observada, e então comecei a sentir o que ele sentia. E então acabou. Foi a primeira vez que o vi, o dia que eu o conheci.
Devo lhes deixar claro, claríssimo, que mesmo sem entender nada, aquela foi a pior noite da minha vida.  Mesmo sem saber oque significava a maioria daquelas coisas que eu senti graças à ele, me doeu na alma reconhecer todo aquele sofrimento. Eu não sabia quem era, mas sabia que era.
Chorei durante todo o tempo depois que eu acordei e mais ainda me assustava aquele meu quarto mal iluminado por luzes que se pareciam com fogo e aquelas bonecas que me faziam sentir como se eu estivesse em um filme de terror. Fiquei desolada e sem saída, pensando nele com um osso de galinha na garganta. Se pelo menos ainda eu tivesse conseguido dormir mais um pouco antes do amanhecer.
Foram anos mais tarde que eu conheci um cara muito parecido com o cara do meu "sonho" inesquecível, que muito timidamente me olhou sorrindo e chegou mais perto dizendo que achava que me conhecia de algum lugar, e não era trova fácil, eu vi quando eu enxerguei aqueles olhos. Aqueles olhos. Eu sorri de volta, enquanto na minha cabeça só havia um pensamento "meu deus, como eu quis um dia poder ver esse sorriso, e que lindo".
O que ele pensou eu não sei, nunca cheguei a contar daquela noite, nunca perguntei da onde ele me conhecia também, pra manter essa ligação misteriosa e mais forte que o normal de hoje em dia. E agora eu não tenho mais medo, nem curiosidade, por que existe alguma coisa nele que me diz que não é preciso eu entender aquela noite dos infernos que eu passei na minha infância, e que eu tenho que confiar. Eu confio. Por um único motivo: quando ele me olha, não é decepção nem desprezo nem nada disso que eu vejo em seu rosto, oque eu vejo é amor.

sábado, 19 de novembro de 2011

Nem que você tivesse vindo à cinco horas atrás não teria ganho meu coração.
Tudo bem, se eu tivesse vindo à cinco horas, não seria pra pedir teu coração.
Então, oque é que você veio fazer aqui?
Te entregar o meu.

Resisti. Persisti.

As luzes de natal mais reluzentes do que nunca. As avenidas que se perdiam diante dos meus olhos. Um ar diferente. Um lugar distante. Então eu fui embora. Tudo ainda estava lá, exceto o meu corpo. Passava o dia dormindo, assistindo televisão, escrevendo cartas, e todo meu pensamento me levava de volta pra casa. Percebi, de súbito, que a felicidade não seria ali. Felicidade é uma pessoa. Felicidade é um sentimento. Resisti, persisti.
Na quinta abracei o travesseiro. No sábado beijei o espelho. No domingo escrevi uma carta. Na terça assisti a um filme de comédia. Na quarta conversei com o meu gato de pelúcia. Na sexta, gritei. No domingo chorei, chorei, chorei. No próximo domingo eu não sabia oque fazer. Resisti. Persisti. Resisti.
Numa segunda-feira, coloquei duas calças jeans, um par de tênis e algumas camisetas na minha mochila. Peguei o único dinheiro que eu ainda tinha. Saí de lá. Então eu fui embora. E desde esse dia em que fugi, nunca mais me encontrei.

R. Schmitt.

Minha amiga foi embora

Minha amiga foi embora. Foram anos de companhia: no banheiro, na sala, no quarto, na cozinha, na rua, no shopping, na escola, em todos os lugares. De vez em quando ela nem aparecia; e eu me sentia insegura com aquela alegria. Não era a mesma coisa sem ela. Não me importo que me achem imbecíl, mas é inevitável confessar que foi ela que construiu a pessoa que eu me tornei, e ela é a responsável por quem eu me transformo. Talvez -e esse talvez repleto de pessimismo- eu encontre outra amiga. Mas nenhuma vai ser igual a ela, com essa força e influência toda em cima de mim, entendem? Até fiz um outro amigo, o Descaso, mas ele disse que tá só de passagem, porque não pode ficar muito tempo num só lugar, anda viajando. A não ser quando o caso é muito grave e a pessoa precise muito. "Mas não se aplica a você", palavras dele. Isso significa que eu não tenho um amigo.
E a minha amiga foi embora, e não sei se volta.
Ando prestes a deixar este abismo me engolir, escuto gritos lá embaixo, gritos aqui em cima, e não vejo mais como sair. Parece tão difícil de me equilibrar aqui na ponta. Ninguém vem pra me juntar. Ninguém tem coragem pra chegar até aqui - ou coração. E aqueles que poderiam me buscar, vendam os olhos pra não sentirem a angústia que em mim permanece. Ou eles não percebem? Oh, eles não percebem.

R. Schmitt.

-

— Daí que a vida da moça foi ficando um inferno. Ela não pensava noutra coisa o dia inteiro. Só no amor que sentia. Pensava no amor que sentia pelo príncipe o dia inteiro, nem comia mais direito, nem dormia, nem trabalhava nem nada (…) Passava o ano todo esperando o príncipe vir de férias. Mas quando ele vinha, a moça ficava ainda mais triste.
— Por quê, hein?
— Porque ela via ele todos os dias.
— Ué, mas não era então pra ela ficar alegre em vez de triste?
— Não, porque o príncipe não ligava mesmo pra ela.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

fotografias
















Outra vida pra te ganhar

Queria por um momento ter um nome diferente, ser outra pessoa, e poder entrar na tua vida sabendo direitinho como te levar pra minha casa. Eu saberia sim, mas não sei fazer isso sendo eu. Por que a verdade já tá nos meus olhos... a verdade que tu enxerga mais forte do que os outros. A verdade que eu daria qualquer coisa pra que não existisse.
Mas eu ainda continuo com o mesmo nome, o mesmo rosto, a mesma voz. Pra te afastar de mim? Se eu fosse outra, por um momento, faria de um jeito mais certo. Eu continuaria te beijando na ponta do nariz, te abraçando de surpresa, ou te fazendo cócega em qualquer parte do teu corpo, sim, mas eu seria novidade, eu teria mais mistério, não seria um livro aberto que tu pegaria pra ler de vez em quando. Eu te ganharia muito fácil, porque eu saberia. Porque eu te conheço. Por que eu seria uma pessoa diferente, e eu teria nascido pra ficar do teu lado.
Jogo sujo, mas quem se importa? Se eu te plantasse o amor, se eu te fizesse acreditar nas coisas que eu já acreditei, então nada mais importaria. Estaríamos juntos, completando um ao outro em dias quaisquer.

R. Schmitt

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Espere e verá

Eu pedi que se afastasse um pouco mais por que no fundo eu já tava quase sabendo no que aquilo ali terminaria, e eu não queria, então pedi, e o que ela fez foi o ápice. Ao invés de se afastar, ela sorriu torto como quem diz que eu não sei o que estou falando, e de fato eu não sabia, a única coisa da qual eu tinha consciência naquele momento era que ela me fascinava, me atraia, e aqueles olhos... que me induziam ao querer. Então, com aquele sorriso torto, aquele, sem nenhum tipo de mudança, foi que ela conseguiu me algemar mentalmente pra sempre dentro dela e de mim. Pra sempre sim, por que pra sempre é agora, e agora não tem fim.
E o fogo não se mexe, não diminui, quem dirá se apagar. Mas não é com esses olhos desses homens-todos-iguais que eu a vejo, ela é uma mistura de todas as coisas agradáveis que eu já experimentei na minha vida, e olha, não foram poucas. Também acontecem as coisas desagradáveis, como a insegurança que eu tenho quando fico muito tempo longe dela. O mal-estar quando escuto ela dizer que não quer ir no cinema, ou quando ela prefere ir tomar chopp com as amigas. Ou simplesmente quando ela chega cansada e nem sorri, e diz que quer dormir.
Ela mexe comigo mais do que porre é capaz de mexer com a gente num sábado a noite com os amigos, e, enquanto eu fico extasiado com a quantidade excessiva de bebida alcóolica que eu ingiro, ela ainda continua intacta no meu pensamento e nas minhas veias, será mesmo possível? Eu digo sim, é possível sim, eu também achava que isso fosse papel só delas, mas sinto dizer: espere se apaixonar. Ou pior, espere amar. Aquela doçura, leveza, fragilidade, encantamento... e também tem toda aquela coisa forte que, se eu explicasse, eu teria que censurar.

R. Schmitt

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A tua companheira

Uma súbita fraqueza instala-se em todo o corpo. Com muita calma e paciência vai-se espalhando, fazendo com que a intensidade torne-se menor. Mesmo dando a impressão contrária, ainda está ali, firme, fixa. A fraqueza é causada por um sentimento que desmerece tal reação, pelos motivos que todos escutamos e falamos entre quatro paredes ou ao ar livre. Diz que passa, e passa, mesmo que tão distante dos pensamentos essa tal ideia vá morar. Mas a fraqueza está ali, e vai continuar, mesmo sem querer. Mesmo que ela adormeça pro resto da vida. E ela pode. Não desperte-a por gosto, pois tudo que ela quer é uma chance de ficar. E ela fica, se deixar. A fraqueza é forte, plena, certa. E não vai embora. Mas a persistência pode deixar que a força se coloque acima dela, tua companheira. Mas a força se vai, há de tomar cuidado, pois a fraqueza não.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Meus agradecimentos

Durante muito tempo eu estive esperando por você. Posso dizer-lhe que com certeza não foi a coisa mais fácil do mundo, mas me diz, qual espera é assim tão fácil? Se mesmo quando estamos na fila do supermercado a espera parece uma eternidade. Mas eu não estive na fila do supermercado esperando por você. Estive esperando, por um tempo muito longo, em todos os lugares, à todo momento. E você, como se quisesse mostrar que hábito não muda, nunca apareceu. Um ano e meio pra você é pouco?
Desculpa, percebi que não é simples como um dia eu pensei que fosse. Eu estive aqui. Fui até a esquina da sua casa, vi seu pai, o cara-da-padaria me perguntou por que motivo eu não aparecia mais, o que tinha acontecido com você... e como uma bomba que explode eu cai no mundo real onde atualmente eu nem sabia mais quem você era. Me vi isolada diante daquela situação, com aquelas perguntas me deixando desesperada pra saber da sua vida, de como tem sido seus dias, e fiquei sem ar quando inevitavelmente escutei uma pergunta em gritos na minha cabeça: Onde você está?! Eu não sabia responder. Sorri pro cara-simpático-da-padaria e saí.
Nos três meses que se seguiram foram poucas as noites em que não chorei no escuro me perguntando se ainda era real, se adiantaria lhe esperar, quando a dor passaria ao me pegar pensando em você. Eu esperei. Liguei uma vez pra você, dois dias antes do feriado de fim de ano, talvez pudessemos juntar-nos pra beber uma champanhe como combinado. Meu coração parecia que ia explodir de tão forte que batia, não por que eu estava apaixonada, mas pelo nervosismo de escutar a sua voz depois de tanto tempo. Você não atendeu.
Sabe qual a única coisa que me manteve firme sem desistir pelo tempo todo que estive esperando? Nossa promessa. Nosso futuro. Mas tudo acabara tão feio, tão triste, tão... tão eu. O que seríamos? E seríamos?
Por sua causa eu descobri muitas coisas: o verdadeiro medo, a verdadeira dor, o verdadeiro desespero, a verdadeira insanidade, o verdadeiro amor. Adiantou? Talvez um dia estaremos num mesmo lugar. Rindo, como sempre. Por que eu esperei por você, incansavelmente eu esperei por você. E foi por essa espera, mais uma vez por sua causa, eu descobri outra coisa que é melhor do que qualquer uma das coisas verdadeiras que eu descobri com você: a liberdade. Então, hoje, diante de mim, sem que me veja, sem que me toque, como o dia que você conhecer o mundo que eu conheci por te conhecer, quero lhe dizer uma coisa importante, por me deixar onde estou agora, por ter me feito sentir forte; Do fundo da minha alma, os meus agradecimentos!

domingo, 30 de outubro de 2011

Vá adiante

O passo mais importante é o que você acaba de dar. Olhar pra frente, decidir, pensar, continuar. Pode não ser tão fácil de aceitar as situações de vez em quando por se tratar de uma delicada importância que aquilo tinha/tem. As vezes, também, pode ser preciso chegar ao mais baixo possível à ponto de explosão, ser colocado no chão, pisoteado com crueldade, e ouvir as mais puras verdades, pra depois então, entender que seu coração não é tudo o que existe, e que de uma vez por todas, você precisa se dar uma chance de provar que pode ser muito melhor do que já foi um dia. Passo à passo, dê distância, tempo, mas não espere as coisas se resolverem de um dia pro outro com tanta facilidade. Se afaste. Se aproxime. Se você sabe que te traz mal, não encontre mais. Não suporte. Diferencie-se do resto das pessoas e seja. Seja tudo o que você quer ser.

R. Schmitt

sábado, 29 de outubro de 2011

Uma tarde de sábado

Todo mundo precisa de um espetáculo. Um final surpreendente. Ela estava deitada no chão daquele enorme banheiro. Com uma faca-de-cozinha-e-de-serra na mão esquerda. Pra doer mais ainda. A fraqueza já tinha passado pro físico, parecia, por que não jorrava sangue como imaginara. Mas era tão ruim. Aqueles doze "arranhões" ardiam, comichavam, desagradavam, mas era sangue que ela queria, e foi pouco sangue que ela viu. Não sabia como sair dali. Mas sabia que tinha que sair. Escreveu dois bilhetes. Suas mãos tremiam. Sentia-se num filme, e estava estranhamente familiarizada com todas as novas sensações.
Oque diriam? Oque fariam? Como seria? Pensamentos distantes do dela. Estava a um passo. Na beira do abismo. Mas como? Sem barulho, sem demora. Olhava freneticamente pra todos os lados, todos os objetos, mas não havia absolutamente nada. Absolutamente. Nada. "Me tira daqui", suplicava mentalmente. Pra quem? Não sei. Na beira do abismo. No lugar mais baixo que existe no mundo. Não pertencia àli. E todos tampavam os ouvidos quando ela falava. Como crianças. Tem gente que desiste fácil.
Ela estava ali. À um passo. Na beira do abismo. Um último pedido de ajuda. "Volta. Por favor." Mas ninguém via os olhos dela. Oque a deteria? Um abraço? Aquele abraço! Na espera, já sabia o fim. Todos passaram a não existir mais, desde então. Segurou firme a faca na mão e saiu do banheiro. Foi uma visão do paraíso quando ao abrir a porta,(...) Um espetáculo? Era tudo. Com o sangue endurecido dos cortes no braço e nas pernas, caminhou devagar até o quarto. Na frente do espelho, fez a maquiagem perfeita. Muito rímel, blush, e batom vermelho. O reflexo dela por dentro. Fervendo. Forte. Pesada. Foi até o guarda-roupa e sem pensar arrancou dali um vestido de verão. Decotado, leve, colorido. Vestiu.
Segurou um banquinho nas mãos e o carregou até o pátio do fundo, sob uma árvore enorme de laranjas.


(...) Foi uma visão do paraíso quando ao abrir a porta, deu de cara com uma corda. Não muito grossa, não muito fina. Perfeita. E limpa. Um espetáculo? Era tudo. Com muita facilidade como se praticasse aquilo o tempo inteiro, fez um nó num pedaço da corda formando um círculo. Subiu no banquinho e prendeu a ponta da corda à um galho grosso da laranjeira. Ainda em pé no banco, percebeu que todas as medidas foram fiéis ao ato, como se absurdamente aquilo fosse a ação mais correta a ser executada.
No céu não haviam nuvens. Algumas gotas de chuva caiam naquele momento. Como se tudo conspirasse para que parecesse o mais possível com uma cena final de um filme. Estava a um passo. Na beira do abismo. Seus olhos ardiam, olhava fixo para algum lugar ali. Com toques singelos e lentos, colocou a corda ao redor do pescoço. "Simplesmente perfeito", pensou. E então empurrou o banco com os pés, ao mesmo tempo em que dizia mentalmente, aquilo que ela precisava ouvir pra ficar. Três pequenas palavras, doces e cruéis.
No décimo primeiro segundo, se ouvia o bater das folhas da árvore. Uma laranjeira, entrelaçada à uma corda. E alguém cuja a respiração nunca mais se ouviria. "Mas estava linda", diriam.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Uma dica: desintoxique

É só você pensar que as horas passam rápido, os dias, as semanas, então fica mais tranquilo de dizer um adeus. Não se torture com abraços-sem-fim e beijos estalados, quanto mais você tiver perto mais vai querer continuar, é possível que perca a coragem. Vá embora logo, se tudo aqui te prende de uma forma que te faz ficar mal e chorar todas as noites; não dê mais chances ao sofrimento, tente sair, pense nesse "ir embora" como se você estivesse fugindo de casa, pense como emoção, sinta mais independência. Se você tá na chuva é pra se molhar, não é oque dizem? Já que você vive, vá viver. Pelo menos tente. Esqueça, esqueça de tudo, não corra mais atrás, dê ao mundo uma chance de sentir a sua falta. É tão bom quando sentem falta da gente! E pode ter certeza... sempre há alguém pra sentir falta da gente. Mas enquanto não sentirem como é te perder, não vão perceber. Vá correndo, diga que está se sentindo mais feliz, que sente vontade de viver. E faça ser essa a única verdade na sua vida. Seja feliz. Uma hora ou outra, o amor volta pra te fazer sentir especial, e faça bem do jeito que você sentir que é o melhor jeito. Um dia, a gente aprende a amar sem se machucar... sem doer todos os dias, todas as madrugadas... a gente aprende a amar de uma maneira que faz a gente acordar com um sorriso no rosto e com muita disposição pra viver. Alcance caminhos, direções desconhecidas e mergulhe de olhos fechados! Não perca mais tempo, é um pedido. Desintoxique! Então, quando seu telefone tocar, abra seu mais largo sorriso e responda que "Sim!" quando te perguntarem se está tudo bem.

R. Schmitt

domingo, 16 de outubro de 2011

Nightmare, 16/10/2011.

Eu estava dormindo e tenho pesadelos, até que de repente acordei, meio intorpecida, parecia que eu estava dopada, delirando, quando eu abria os olhos não conseguia enxergar nitidamente. Tudo que eu via eram muitas luzes, meio amareladas e esverdiadas. Eu não sentia meu corpo. Então eu consegui ver meu guarda roupa todo aberto e bagunçado, a janela também aberta: tinham assaltado minha casa. De repente quase desmaiei, perdi a força que ainda me restava no corpo, e quando estava caindo percebi um vulto, uns borrões, era minha mãe pra tentar me segurar. Eu estava nos braços dela e não sentia mais nada, então era tudo muito confuso: Comecei a escutar muito barulho, ruídos, mas era tudo coisa da minha cabeça, por que ao mesmo tempo eu não escutava nada. Passava pela minha cabeça flashes daquele momento. Muito estranho. Quando percebi, eu estava deitada na minha cama outra vez. E eu acordei, com medo, e tentei me mover. Não consegui. Abri minha boca pra tentar chamar a minha mãe, mas não saia voz nenhuma. Tentei mexer meu braço pra trás com muita força, doeu, mas enfim consegui. Era a única parte do corpo que eu mexia, bati no balcão do lado da minha cama, mas não emitia som nenhum. Quando eu abria meus olhos eu enxergava só sombras pretas em cima de mim, eu sentia como se fosse alguma coisa viva querendo me aprisionar daquele jeito, também via uma imagem do meu quarto meio cortada, e não conseguia de jeito nenhum virar meu corpo pro outro lado. Aquela coisa me puxava firme. Eu não sabia mais o que fazer. Comecei a pensar em pessoas e momentos bons, funcionava, mas era tudo tão rápido que quando eu me dava por conta não existia mais nenhuma memória boa e sem eu conseguir impedir, várias vozes invadiam meu pensamento, vozes de pessoas más, e isso atrapalhava tudo, parecia que eu nunca mais sairia dali. Então eu acordei.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Normalidade rotineira.

O fogo entope tua garganta, teu choro engasga e parece que tu já tá pronto pra cair morto no chão. Meu querido, você sou eu. NÃO ACREDITE EM TUDO OQUE OS OUTROS FALAREM. Tu vai acabar apodrecendo no chão, tentando levantar um pouco sequer a cabeça, sem conseguir, tu vai arrancar tua própria pele só pelo prazer de ver tanto sangue jorrando, e sentir que aquilo é real, que tu é o sangue que tá escorrendo, um sangue literalmente preto porque afinal tudo já tá escuro mesmo, não se enxerga mais nem um sinal de cor nesse mundo abaixo do mundo, coitado, eu sou você. Isso, retardado, se esbofeteia na cara, gruda a cabeça no espelho, arranca teu cabelo com as próprias mãos, e sente essa merda toda inundar teus olhos, teu quarto inteiro, - CADÊ A DOR, PORRA? - não banca o calminho agora, passividade não combina com traição, explode mesmo. Tua solidão é um presente de Deus, que deus? Tem que se foder, solidão é solidão, você e você, eu e você, grudados pelo tempo, somos um só, meu amor, sou o mal e você o bem, sou você e eu, esquece a história de amanhã, depois, o diabo a quatro, nada vai acontecer, porque a nossa vida tá selada com um beijo especial da nossa querida fiel solidão, entenda, entenda, ninguém foi feito pra ti, estamos só, o mundo é o mundo, ninguém vai te entender, nunca, tu tá fora de ar faz tanto tempo, desde que nasceu, assim como eu, na realidade. Continua aí, trouxa, bem aí no chão, teu lugar mesmo, tua fraqueza te leva até pra debaixo do chão, porque já nem te enxergam mais, nem te olham se quer, teu descuidado, tu jogou tudo por água abaixo, tentou me esconder, mas eu ainda existo, e tô pronto pra te pisar, te enterrar no chão de pedra, ver esse teu sorriso triste transformar-se em agonia, só preciso de alguns segundos, porque tudo que tu tem feito, tá me jogando pra longe, eu ainda estou aqui e quero vingança, porque meu tempo acabou. Sem ironias, nem despedidas, só vingança, sou realista, e quero ferrar com a tua vida, mostrar que um puta fraco e idiota não tem volta, tu já acabou. Assim como eu. Porque eu sou você, meu bem, nós somos um, agora um beijo, sangra no chão que eu tô de pé pra te aplaudir.

R. Schmitt

domingo, 18 de setembro de 2011

Um texto emocionalmente diferente

É um pouco estranho escrever sobre algo que a gente não tá acostumado. É mais estranho ainda escrever sobre algo que parecia não ter muito a ver, despercebido. Tem coisas que só eu sei. Acontecem coisas na nossa vida que passam e aparentemente nem fazem diferença alguma, mas há uma beleza totalmente discreta nisso... por que ninguém mais enxerga. Lembranças de momentos que já passaram faz muito tempo, momentos bons que já parei pra lembrar várias vezes, e quem iria adivinhar? Não interfere em quase nada na minha vida, mas é um pouco nostálgico, de repente bate uma pequena incerteza, um pensamento breve de que eu poderia ter feito as coisas diferentes, a curiosidade de saber oque teria acontecido, se seria pior, melhor, ou indiferente. Se teria dado certo, se eu acabaria desistindo. As vezes sinto algo parecido com saudade. Acho que é só nostalgia. Talvez carência. São coisas escondidas, somente claras pra mim. Eu não quero mudar nada no momento que eu tô vivendo, do jeito que foi, foi ótimo, intenso, verdadeiro, e pra mim, lindo. Mas dá uma sensação agradável de imaginar que foi especial, despercebida e discretamente especial, mas foi, querendo ou não, nem que tenha sido pela metade, ou um terço.

R. Schmitt

sábado, 17 de setembro de 2011

E se ele não olhar pra trás?

E se ele não olhar pra trás? A gente sabe que ele não vai olhar. Se ele diz que vai embora, você vai arregalar seus olhos e enxê-los de medo, e quando ele estiver indo, esperando que você tente o impedir, você vai gritar: Volte, eu preciso de você! Pronto, é aí que seu mundo acaba, é disso que ele precisa pra te ter nas mãos. Quando você disser que vai ir embora, sabe oque ele vai fazer? Ficar em silêncio. E você vai simular a ida, vai caminhar com passos lentos e frouxos, com muito medo, torcendo pra que ele te chame de volta, e sabendo, bem no fundo, que ele não vai te chamar. E você vai chorar, e vai olhar pra trás, encará-lo com os olhos inundados de lágrimas, e ele vai estar te olhando, vendo você chorar, e pensando: ela é minha. E oque você faz? Vai até ele, dizendo que foi um engano, que não vive sem ele. Mesmo sorrindo, ele vai continuar em silêncio. Isso não é o que mais te magoa nele? Ele gosta de ver que você depende dele. E ele sabe, que não precisa correr atrás pra que você continue o amando. Ele sabe que você sempre volta. Por isso ele nunca te procura. Mas você é que é fraca, por que nunca deu uma chance a si mesma de ser valorizada.

R. Schmitt

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Um dia de anjo. 16/09


Hoje é um dia realmente bonito. Não significa que o dia foi claro, que o céu tava um azul bem forte, que as borboletas voavam juntas o tempo todo pelo ar. Significa que o dia, o dia em especial é bonito. Por que é o dia em que faz 19 anos que você nasceu. 19 anos, né? Realmente, não parece. Esse teu jeito incrivelmente lindo de ser, teus olhos sérios, de uma intensidade extrema, e o teu sorriso meigo, tão encantador, que me deixa nas nuvens.
É mais um ano, do teu lado. Distante, mas com seu rosto na minha mente, e você inteiro no coração. Tenho tanto orgulho de ser tua fã, de dizer que eu te amo, sem me importar com oque vão pensar, que eu sou tola, que não sei oque é amar, que um dia isso vai acabar. Eu sei oque você é pra mim. E enquanto eu souber, eu vou te amar, e nada mais vai ser o suficiente pra me derrubar, pra te tirar do meu coração. Mesmo que eu não esteja dentro da tua vida, eu te amo. Se eu não souber sobre seu dia de ontem, se eu não passar o dia inteiro pensando em você, se eu não sonhar com você, se eu não souber cantar todas as suas músicas, se eu não souber de toda sua vida e todos os passos que você dá, não significa que eu não sou sua fã. Porque antes de tudo, eu sei quem você É. De um jeito ou de outro, eu te conheço. E eu te admiro. Tenho um orgulho tão forte. E eu me identifico tanto com tuas palavras, com o teu olhar. Parece que ele me reflete completamente, não sei explicar. Mas isso é uma das coisas que me fascinam em ti. Bom, hoje é teu aniversário, e se eu pudesse ganhar de ti um sorriso eu te daria o meu mundo inteiro.
Parece mentira que há menos de um ano eu te vi pela primeira vez. Parece mentira, mais ainda, que hoje, no dia do teu aniversário, faltam só 11 dias pra mim te ver de novo. E vai ser igual da outra vez, eu vou ter uma vontade impulsiva de sair correndo no meio de uma multidão de pessoas que também são apaixonadas por ti, empurrar todo mundo, ultrapassar todos os limites e oque me impede de tocar tua pele, até chegar onde você está, e te dar um abraço apertado, e te fazer sentir o amor que eu guardei no meu peito durante anos, e eu sei que não seria nem preciso te falar palavra alguma, o meu olhar deixaria claro toda a felicidade que eu tenho de ter te encontrado e começado a te amar. Meu amor, hoje, feliz aniversário.
Mas tem mais coisas que eu gostaria de te falar. Eu tenho saudades, saudades de você, e nesses dias é que isso transparece mais ainda, por que o meu maior desejo agora era poder te observar, nem que fosse de longe, contando que fosse fora da minha imaginação, e sussurrar, mesmo que você não ouvisse, que eu tô feliz, feliz de verdade, por ter um dia descoberto você.
Eu escrevo, mesmo sabendo que nunca vai chegar nas tuas mãos, assim como tantas outras garotas devem fazer a mesma coisa que eu, e pensar a mesma coisa também, mas eu escrevo, por que eu amo escrever, e se o assunto for alguma coisa que eu também amo, então é oque mais me satisfaz hoje. Escrever para uma pessoa que faz grande parte da minha vida.
Eu te amo, Nicholas, e quero o teu bem pro resto da tua vida, e a tua felicidade a todo momento. E tenha certeza: enquanto eu existir, você também vai existir na minha vida, independente do que acontecer comigo, ou com você, teu sorriso vai ser pra sempre encantador e a tua voz pra sempre uma música calma, meiga e agradável pra mim. Seu lindo.

R. Schmitt

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Longe daqui

O caminho certo que eu tomar
vai ser aquele, que um dia
à minha volta, todos temeram..
não vou falar sinto muito
se eu não sentir com clareza
vou seguir se eu puder,
sem medo dos buracos invisiveis
Vão tentar ligar, cobrar, brigar
eu não sei onde vou estar
mas em algum lugar, ninguém vai me encontrar


R. Schmitt

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Sem saída.


Em meio a essa tempestade que é minha vida, o que mais me aflinge é ficar aqui no meu quarto fingindo que tá tudo bem, engolindo choro, e não enxergar nenhuma das pessoas que seriam capazes de pelo menos me distrair. Ninguém nunca aparece na hora certa. E eu sinto tanta necessidade disso, a ponto de procurar um ombro, um abraço, alguém... e me decepcionar, por que ninguém é capaz de atravessar uma cidade por mim. Nem sequer cinco quadras. É tudo muito difícil: vencer o sono, pegar um táxi, gastar um pouco de crédito no celular. Um pouquinho mais de atenção seria um pouquinho menos de solidão. Mas eu não encontro isso em ninguém. Sabe, ninguém. Quando eu seria capaz de rodar o mundo pra encontrar alguma dessas pessoas que me alegram um pouco mais. Fica um pouco mais difícil de viver. Então, eu levo... digo que não aconteceu nada, continuo sorrindo e confiando nesses meus amigos, porque querendo ou não, eu dou a vida por eles.
Bem no fim, alguém pode sair arrependido. É tão simples oque eu preciso.

Rafaela Schmitt.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sem título

Olha no meu olho e me diz oque vê, eu não quero mais viver assim, não quero isso pra mim, não mereço ter que observar meu coração ensanguentado, nas tuas mãos, olhar pros lados e só ver muros, muros cada vez mais altos, construídos com tanta perfeição num cenário tão extraordinário, com tanto prazer... derruba esses muros pra mim, ou faz um enorme buraco pra mim tentar me salvar, você tem duas vidas agora, e nem se quer percebe que por mais que tente jogar uma delas por cima do muro, vai continuar intacta, uma vida, que voceê roubou, destruiu, jogou no chão e pisou em cima..... meu amor, tá escrito no muro do lado esquerdo, mas você não enxerga, eu te amo, disse uma vez, escrevi, gritei, tatuei no couro cabeludo e você nada, nem um pingo de pena. No momento em que eu me virar pra correr eles todos estarão esperando pra ver oque vai acontecer, tem uns que nem acreditam que eu vá conseguir me mover, as opções são tantas que eles ficam discutindo sobre qual é a mais provável, oque é que eu vou ser, bem no fim não importa, porque eu me virei pra correr e você viu que eu disse que te amo, e eu me afasto com passos longos, agora que voce derrubou um dos muros pra mim, que eu pedi, com a desculpa de que não conseguia mais nem respirar, que não conseguia mais ver a luz do sol, tudo por causa dos muros, e que um deles destruído seria suficiente pra mim ter esperanças de novo, você acreditou e agora eu vou embora porque você tá vendo que era verdade quando eu disse que não cabia mais no peito.

Agora eu fico mais perdida do que antes porque não sei oque é que acontece, dá pra ver minha fraqueza diante do fim da minha vida , querer enfiar uma faca no peito bem na frente do espelho, sem sentido algum, é só impulso por que ele tá vindo atrás de mim, tentando me entregar uma coisa pequena e toda rasgada em cima da mão dele, oque eu queria arrancar de dentro de mim na frente do espelho, que ele já arrancou, que nojo, parece um trapo velho enrolado, caindo aos pedaços, não quero nunca mais, que vergonha, mas eu quero voltar sabe, quero olhar pra trás e dizer que, não, não quero dizer nada, só quero voltar, meus passos afrente doem tanto ainda mais quando eu escuto lá atrás passos me seguindo, não aguento dar mais nenhum passo adiante, olho pra trás, ele tá lá, ainda segurando aquela coisa, digo joga isso fora, mas eu quero meu coração , seu coração é meu, se é isso que você quer, sem coração não vou ficar, culpa sua que não entendia que nunca mais conseguiria me devolver o meu, agora quero ver pagar, isso, arranca o seu e me dá, olha que lindo, bem vivo, só com um furinho ali, você pensou em começar a matá-lo, não é? mas eu estou aqui, meu amor, engulo seu coração e vivo pra você, venha, vamos embora, destruir estes muros e levantar outros, mas por favor não tão altos assim, e nem tão perfeitos porque quando é perfeito demais a gente desconfia, parece mentira... e eu só quero ver o que eu vou ler no lado direito, que você escrever, quero ver. E olha também pra eles agora, já foram embora.

Rafaela Schmitt

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A gente se gosta.

Me deu uma vontadezinha de chorar agora, eu tava pensando em ti. É que tu é tão grande dentro do meu pequeno coração. Não faz ele explodir, não. Mas não é só no coração que tu vive em mim, é no cérebro, nas mãos, nos olhos, no sorriso, das pontas dos pés até os fios de cabelo. É, eu digo assim, seja ou pareça forte ou não, meu primeiro nome ninguém vê, não tá registrado em papel nenhum, meu nome da frente é Intensidade e não é de agora que eu sei. Eu gosto tanto tanto de ti. E eu não quero ter mais medo de dizer. Sei muito bem que sofri por nós dois, vi o mundo cair por cima de mim tantas vezes por tua causa e chorei chorei, quando na verdade eu não merecia doer como eu doia. Quando eu te daria tudo que tu me pedisse e te levaria embora daqui se me deixasse. Quando o meu Amor pequeno amor mas amor por ti me fazia pensar que eu poderia fazer qualquer coisa, por uma única pessoa. À ti, eu digo, houve um tempo que faria qualquer coisa. Eu não preciso de ninguém me ditando o que fazer e julgando minhas escolhas. Se eu estiver errada, por mais na cara que esteja, eu devo ter o meu espaço e se eu quiser amar sozinha eu sou a única que tem a ver com isso. Esse sentimento sabe é exigente e cansativo, mas ultimamente eu tenho achado tão bom que a gente possa amar outra pessoa. Tenho tido certeza de que eu não amo sozinha não, e que eu ainda vou ter uma grande e linda história pra contar, eu tenho pensado na ideia de um dia quem sabe ter um filho, me casar, fazer grandes loucuras de amor, e gritar aos quatro ventos que estou feliz. Tem alguém que sabe me deixar feliz, me cuidar, me fazer um carinho que me deixa louca, é tu, a tua presença é fatal, e o teu sorriso é tão explosivo pra mim. Eu sei que alguma coisa mudei na tua vida, sei que tu não vai me esquecer, sei bem que por mais que eu sofra sozinha, eu não deixei de ser correspondida. Eu sei que eu sou importante pra ti, que te faço bem, e que nessa tua vida me ter perto é uma segurança pra ti. Quero tanto te cuidar e te proteger e te dizer que vai ficar tudo bem por que eu sei que vai. É por isso que eu tenho certeza que na hora certa a gente vai se encontrar pra valer, por que nós dois sabemos que somos mais do que qualquer coisa que falem da gente, somos especiais de um jeito que ninguém entende vendo. E nós dois estamos agora juntos sem nada, e um dia seremos e teremos tudo, se formos realmente oque nós pensamos que somos. E eu já tô chorando, mas dessa vez as lágrimas são pra te jurar que não quero te perder de vista, que eu sou tão sozinha sem teus abraços e o teu calor de sempre. E que uma simples palavra vai mudar minha vida se qualquer dia deixarmos de sermos os mesmos um com o outro. Mas, aconteça o que tiver que acontecer, do meu amor tu nunca vai esquecer, do teu sorriso eu nunca vou esquecer, e do nosso jeitinho de conviver e dar carinho nós dois não vamos esquecer. Então, sempre haverá uma mente com lembranças pra gente sorrir um pouco em dias tristes.
E eu juro que a gente se gosta. Pra quem não entendeu.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Run away.



Então eu venho aqui escrever hoje por que eu tô realmente, extremamente, completamente explodindo de cansaço. Eu ultimamente tenho andado com uns nós no peito dificílimos de desatar, tento deixar pra lá na esperança de que eles sejam a causa de eu não precisar mais respirar, infelizmente não funciona. Acho que os nós são meio psicológicos. Qualquer pessoa que me escutasse reclamando da vida não entenderia, disso eu tenho certeza. Mas, é óbvio. Eu tenho só 17 anos, estudo, trabalho de tarde só 4 horas, saio as vezes, tenho meus amigos, tenho atenção da minha família. Mas só eu tenho essa mente aqui, sabe. E tudo isso tem defeito. Eu não aguento mais a mesma coisa sempre. Os mesmos horários, as mesmas pessoas, as mesmas conversas, as mesmas reclamações, sempre sempre o mesmo. A minha vontade é tão forte de me trancar dentro do meu quarto e só sair pra ir no banheiro, sem ninguém pra ficar perguntando "ai oque tu tem?". Vontade de bater a cabeça numa pedra e esquecer tudo que já vivi até aqui. Vontade de sair correndo rumo a qualquer lugar muito longe, sem deixar nenhum vestígio de que um dia existi aqui.
Tô cansada demais, não dá pra falar... ninguém vai me ajudar, ninguém vai me salvar. E ninguém vai me entender, é claro, é tudo tão leve o que eu sou obrigada a fazer.
Eu tenho tanta certeza que eu não sou daqui. E não é brincadeira, esse mundo não é pra mim. Eu sou muito mais do que todas as dores daqui, eu deveria ter nascido não sei, no contrário disso. Tudo que o mundo tem de ruim, eu tenho de angústia. Eu deveria... deveria só dizer "tô indo, cansei. :)" Mas não dá, como uma boa (e boba) pessoa, eu espero mais do que um fim sem drama.

R.Schmitt.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Essa certeza que nunca tive..

Eu posso jogar o passado pra cima e sair correndo pra que ele nunca mais cruze o meu caminho e entre na minha cabeça. Posso trocar tudo que tem no mundo por um único momento que faz tempo que eu desejo; o momento de viver pra sempre esse momento. Um adeus que não seja o mesmo que eu vivo ensaiando, posso dizer facilmente. Eu só preciso ter certeza, mas não essa certeza que de tão incerta dói quase a toda hora. Sabe, uma certeza bonitinha, completa, fervendo, estampada no azul do céu, que dê pra ler até mesmo na escuridão total da noite.

Mas, nunca vem, e assim como o tempo passa começo a pensar a mesma coisa de varios ângulos, e acabo concluindo (e sempre esquecendo) que talvez querer essa certeza seja ingênuo, inocente e ardente. E que ela, em si, de tão utópica seja patética.


R.Schmitt

Boa sorte.

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Um dia, outro dia, outro e outro. Tantos dias. Dias que somem. Dias efêmeros. Dias que morrem. E, incrível, ninguém entende. Sem mãos pra te reerguer. Menos ainda pra te segurar. Curte a tua dor sozinho, por que ninguém vai parar para ser empático e te assistir. Portanto, a magia é resistir.


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R. Schmitt

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Ur beautiful wings.


Eu sei como é difícil largar, mas vamos cortar essas asas e deixá-las voarem sozinhas para longe de ti e procurar um outro corpo para acampar, até que canse e perceba que igual a ti não há.
Vais aprender a viver sem as tuas queridas asas que te levavam ao céu mas também ao inferno em questão de segundos.
Deixe-as mudarem de cor, mesmo que tornem a acinzentar e em seguida a escurecer até tornarem-se negras, não interfira no seu processo, pois elas também hão de passar por isso.
Numa certa altura tu vai conseguir te manter perfeitamente em paz sem tuas asas, mesmo que em certas ocasiões doa um pouquinho lembrar-se delas e em como era fora do comum o que elas te proporcionavam.
Talvez esses dois buracos negros nas tuas costas onde elas se encaixavam tão corretamente chamem a atenção de novas asas perdidas, e tragam para ti um pouco mais de fantasia e novas experiências ao alto. E por mais que nenhuma delas te levem tão alto quanto as tuas primeiras, tu vai aprender a se acostumar, e estranhamente vai entender o motivo delas parecerem tão mais fracas, mesmo que não consiga explicar.
Lembrará daquelas antigas asas até o último segundo da tua vida, enquanto isso elas estarão perdidas por aí, tentando te encontrar em novos corpos, talvez um dia se encontrem novamente e por tamanho o medo que elas tiverem de nunca mais te encontrar outra vez, não saiam mais da tua vista.

Talvez nunca mais se encontrem.

Assim vai prosseguir até que o fim comece a derramar em cima de ti. E vai doer tanto aí dentro quando estiveres partindo, que chegará a desejar que elas estivessem ali para irem embora contigo.

Rafaela Schmitt

terça-feira, 12 de julho de 2011

Uma coisinha pra lembrar

As vezes a gente não vai conseguir o que a gente quer. Assim, só não vai. E não vai dar pra fazer nada.
Entende? Nem sempre dá certo, nem sempre há chances. Tudo que a gente pode fazer daí, é se conformar. Mesmo que não seja assim tão fácil. Um dia os dias não vão ser os mesmos e aquilo que te dói vai sumir da tua vista.
Mas... sempre vai haver uma coisinha pelo menos pra lembrar. E a gente tem que esperar, que essa "coisinha" nos faça sorrir e gostar do fato dela ainda existir. Pra que a gente pense: "bom, então valeu mesmo a pena. Não deu em nada, mas valeu a pena, ao menos, tenho certeza."

Rafaela Schmitt. :]

terça-feira, 5 de julho de 2011

Pelo menos...




Era uma guria que tinha como princípio básico o viver do presente como se fosse esta a última vez. Era uma guria que gostava de tudo com intensidade, que queria sempre fazer ser lembrado. Que não sabia bem o por que mas odiava finais, mudanças repentinas, falta de liberdade. Era uma guria que acima de tudo gostava de fazer tudo ser bonito. Até que um dia, ela começou a amar. E amou, e amou, e amou, tentando fazer aquilo dar certo. Ela, com o amor. E não tinha como simplesmente jogá-lo fora só por que não combinavam. Ele era insistente, exagerado, exigente. Pé no saco. Foi difícil lidar. Tanto que não lidou. Ele a prendeu = falta de liberdade. Ele acabou com ela inumeras vezes = malditos finais. Ele doeu tanto e por tanto tempo = cansaço. Cansar não é bonito. Eles não davam certo, de jeito nenhum. Mas, o pior de tudo era ter que deixá-lo. Por que, odiava o fim das coisas e achava aquilo que sentia tão bonito e o futuro que esperava também e gostava de guardar memórias e viver intensamente e o amor era o máximo de intensidade que já alcançara e não queria deixar por ali por que queria ir até o fim por que queria viver como se fosse o ultimo dia e no ultimo dia queria que estivesse com o amor ali e o amor era passar o dia deitada na cama fazendo cócegas rindo tapeando mordendo atirando beijos apertando e ouvindo e dizendo to tão feliz de ta aqui contigo hoje! Portanto não o deixou. E ainda espera pra ver no que vai dar. Não tem nada, mas pelo menos tem amor.

domingo, 3 de julho de 2011

Passado escondido

Com todas essas reviravoltas... eu nunca vi aquelas cenas de filme, pergunto do passado e as respostas que obtenho pra mim não é o bastante. Acho que é o drama que me prende totalmente, se era proibido e escondido, era bonito, os dias de liberdade eram sonhados, os beijos sem culpa, as mãos suando de tão apertadas uma na outra, o olhar adorável e de extrema ternura quando se encontravam e sem precisar cuidar os olhares, o lugar, o jeito daquilo.
Assim mesmo como imagino, um presente perdido, esmagado por ignorâncias, hábitos, costumes inúteis. Queria ter sido não o que sou, queria poder voltar a ser algo inexistente e implanejável e dar toda a felicidade e o amor que iria mudar toda rota, o caminho. Cortaram todos os laços, a dor dói em mim por uma cena talvez até que não houvesse existido: cruzando a rua com olhar baixo pra ele querendo com tanta força correr e abraçar e dizer me tira daqui! É natural encontrar e perder, li por aí. É injusto, não é? Foi amor, e foi embora assim. O futuro depois o quanto foi de maravilhas? Aqueles olhares todos intensos e sonhadores que imagino em estradas de chão,tão perto e a distância acabando com cada pedacinho, tudo, tudo. Eu não vejo esses olhares aqui, nem em palavras escuto ternura, não cheiro carinho, não vejo amor, eu queria ver amor tanto. E é por isso, por isso tudo pode ser tão errado, desnorteado, dissimulado, desimportado. Mas quem decide é quem sabe se importa ou não importa, tão fácil e prático... eu já teria explodido.

Rafaela Schmitt

terça-feira, 21 de junho de 2011

Navegamos.

Não tem mais angústia. Não existe medo. Não tem dor explícita.

É tudo mais fácil. É tudo normal.

É o mundo, é o mundo, são as pessoas.




Simplesmente... ir embora. Podia ser tão fácil não podia? Ir embora. Ir embora. Daqui, dali, ir embora da rotina. Conhecer, descobrir. Ir embora.

Alguém me leva embora, só pra não perder tempo. Ir embora.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Natureza Viva (Caio F. Abreu)

Como você sabe, dirás feito um cego tateando, e dizer assim, supondo um conhecimento prévio, faria quem sabe o coração do outro adoçar um pouco até prosseguires, mas sem planejar, embora planejes há tanto tempo, farás coisas como acender o abajur do canto depois de apagar a luz mais forte no alto, criando um clima assim mais íntimo, mais acolhedor, que não haja tensão alguma no ar, mesmo que previamente saibas do inevitável das palmas molhadas de tuas mãos, do excesso de cigarros e qualquer coisa como um leve tremor que, esperas, não transparecerá em tua voz. Mas dirás assim, por exemplo, como você sabe, a gente, as pessoas infelizmente têm, temos, essa coisa, as emoções, mas te deténs, infelizmente? o outro talvez perguntaria por que infelizmente? então dirás rápido, para não te desviares demasiado do que estabeleceste, qualquer coisa como seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente, insistirás, infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos
- emoções
. Meditarias: as pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem há o que são e nem sempre se mostra. Há os níveis não formulados, camadas imperceptíveis, fantasias que nem sempre controlamos, expectativas que quase nunca se cumprem e sobretudo, como dizias, emoções. Que nem se mostram. Por tudo isso, infelizmente, repetirás, insistirás completamente desesperado, e teu único apoio será a mão estendida que, passo a passo, raciocinas com penosa lucidez, através de cada palavra estarás quem sabe afastando para sempre. Mas já não sou capaz de me calar, talvez dirás então, descontrolado e um pouco mais dramático, porque meu silêncio já não é uma omissão, mas uma mentira. O outro te olhará com olhos vazios, não entendendo que teu ritmo acompanharia o desenrolar de uma paisagem interna absolutamente não verbalizável, desenhada traço a traço em cada minuto dos vários dias e tantas noites de todos aqueles meses anteriores, recuando até a data maldita ou bendita, ainda não ousaste definir, em que pela primeira vez o círculo magnético da existência de um, por acaso banal ou pura magia, interceptou o círculo do outro.
No silêncio que se faria, pensas, precisarás fazer alguma coisa como colocar um disco ou ensaiar um gesto, mas talvez não faças nada, pois ele continuará te olhando com seus olhos vazios no fundo dos quais procuras, mergulhador submarino, o indício mínimo de algum tesouro escondido para que possas voltar à tona com um sorriso nos lábios e as mãos repletas de pedras preciosas. Mas nesse silêncio que certamente se fará talvez acendas mais um cigarro, e com a seca boca cerrada sem nenhum sorriso, evitarias o mergulho para não correres o risco de encontrar uma fera adormecida. Teu coração baterá com força, sem que ninguém escute, e por um momento talvez imagines que poderias soltar os membros e simplesmente tocá-lo, como se assim conseguisses produzir uma espécie qualquer de encantamento que de repente iluminaria esta sala com aquela luz que tentas em vão descobrir também nele, enquanto dentro de ti ela se faz quase tangível de tão clara. Nítida luz que ele não vê, esse outro sentado a teu lado na sala levemente escurecida, onde os sons externos mal penetram, como se estivessem os dois presos numa bolha de ar, de tempo, de espaço, e novamente encherás o cálice com um pouco mais de vinho para que o líquido descendo por tua garganta trêmula vá ao encontro dessa claridade que tentas, precário, transformar em palavras luminosas para oferecer a ele. Que nada diz, e nada dirás, e sem saber por quê imaginas um extenso corredor escuro onde tateias feito cego, as mãos estendidas para o vazio, pressentindo o nada que tu mesmo prepararias agora, suicida meticuloso, através de silêncios mal tecidos e palavras inábeis, pobre coisa sedente, te feres, exigindo o poço alheio para saciar tua sede indivisível.
Anjos e demônios esvoaçariam coloridos pela sala, mas o caçador de borboletas permanece parado, olhando para a frente, um cigarro aceso na mão direita, um cálice de vinho na mão esquerda. A presença do outro latejaria a teu lado quase sangrando, como se o tivesses apunhalado com tua emoção não dita. Tuas mãos apoiadas em bengalas mentirosas não conseguiriam desvencilhar o gesto para romper essa espessa e invisível camada que te separa dele. Por um momento desejarás então acender a luz, dar uma gargalhada ridícula, acabar de vez com tudo isso, fácil fingir que tudo estaria bem, que nunca houve emoções, que não desejas tocá-lo, que o aceitas assim latejando amigo belo remoto, completamente independente de tua vontade e de todos esses teus informulados sentimentos. No momento seguinte, tão imediato que nascerá, gêmeo tardio, quase ao mesmo tempo que o anterior, desejarás depositar o cálice, apagar o cigarro e estender duas mãos limpas em direção a esse rosto que sequer te olha, absorvido na contemplação de sua própria paisagem interna. Mas indiferente à distância dele, quase violento, de repente queres violar com tua boca ardida de álcool e fumo essa outra boca a teu lado. Desejarás desvendar palmo a palmo esse corpo que há tanto tempo supões, com essa linguagem mesmo de história erótica para moças, até que tua língua tenha rompido todas as barreiras do medo e do nojo, subliterário e impudico continuas, até que tua boca voraz tenha bebido todos os líquidos, tuas narinas sugado todos os cheiros e, alquímico, os tenhas transmutado num só, o teu e o dele, juntos - luz apagada, clichê cinematográfico, peças brancas de roupa cintilando jogadas ao chão.
E desejá-lo assim, com todos os lugares-comuns do desejo, a esse outro tão íntimo que às vezes julgas desnecessário dizer alguma coisa, porque enganado supões que tu e ele vezenquando sejam um só, te encherá o corpo de uma força nova, como se uma poderosa energia brotasse de algum centro longínquo, há muito adormecido, todas as princesas de todos os contos de fada desfilam por tua cabeça, quem sabe dessa luz oculta, e é então que sentes claramente que ele não é tu e que tu não serás ele, esse ser, o outro, que mágico ou demoníaco, deliberado ou casual te inflama assim de tolos ardores juvenis, alucinando tua alma, que o delírio é tanto que até supões ter uma. Queres pedir a ele que simplesmente sendo, te mantenha nesse atormentado estado brilhante para que possas iluminá-lo também com teu toque, tua língua terna, a rija vara de condão de teu desejo. Mas ele nada sabe, nem saberá se permaneceres assim, temeroso de que uma palavra ou gesto desastrados seriam capazes de rasgar em pedaços essa trama onde te enleias cada vez mais sem remédio, emaranhado em ti e tuas ciladas, em tua viva emoção sintética a ponto de parecer real, emaranhado no desconhecido de dentro dele, o outro - que no lado oposto do sofá cruza as mãos sobre os joelhos, quase inocente, esperando atento e educado que de alguma forma termines o que começaste.
Muito mais que com amor ou qualquer outra forma tortuosa da paixão, será surpreso que o olharás agora, porque ele nada sabe de seu poder sobre ti, e neste exato momento poderias escolher entre torná-lo ciente de que dependes dele para que te ilumines ou escureças assim, intensamente, ou quem sabe orgulhoso negar-lhe o conhecimento desse estranho poder, para que não te estraçalhe entre as unhas agora calmamente postas em sossego, cruzadas nas pontas dos dedos sobre os joelhos.
Ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, noites afora, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não conseguirás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro estranho o cheiro preciso dele.
Que não suspeitará da tua perdição, mergulhado como agora, a teu lado, na contemplação dessa paisagem interna onde não sabes sequer que lugar ocupas, e nem mesmo se estás nela. Na frente do espelho, nessas manhãs maldormidas, acompanharás com a ponta dos dedos o nascimento de novos fios brancos nas tuas têmporas, o percurso áspero e cada vez mais fundo dos negros vales lavrados sob teus olhos profundamente desencantados. Sabes de tudo sobre esse possível amargo futuro, sabes também que já não poderias voltar atrás, que estás inteiramente subjugado e as tuas palavras, sejam quais forem, não serão jamais sábias o suficiente para determinar que essa porta a ser aberta agora, logo após teres dito tudo, te conduza ao céu ou ao inferno. Mas sabes principalmente, com uma certa misericórdia doce por ti, por todos, que tudo passará um dia, quem sabe tão de repente quanto veio, ou lentamente, não importa. Por trás de todos os artifícios, só não saberás nunca que nesse exato momento tens a beleza insuportável da coisa inteiramente viva. Como um trapezista que só repara na ausência da rede após o salto lançado, acendes o abajur no canto da sala depois de apagar a luz mais forte no alto. E finalmente começas a falar.

domingo, 12 de junho de 2011





Mas tu é minha. Não é?
...
Não é?
Não.
Não?
Não.
Já deixei de ser, pensei.
Silêncio.


E o teu olhar me doeu tanto. Me doeu imensamente.

Por que a única coisa que eu queria era ser tua.
Pra sempre.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Chegando a lugar nenhum;

Sentados ali fora quando era mais ou menos umas vinte e duas horas e quinze minutos, eu toda encarangada de frio mas fingia que nem sentia - a verdade é que tava tão entretida naquelas ideias que nem me importava tanto com a noite gelada -, ouvia ouvia pensava considerava concordava e discordava. Ideias repetitivas, cansadas, coisas que as pessoas todas falam e discutem até não poder mais. Sabe esses negócios tipo trânsito, tipo evolução, tipo tecnologia, tipo liberação de maconha, tipo o prejuízo que a droga traz, tipo o mundo. Pra ser mais exata, tipo o Brasil em si.
Era dessas coisas que falavam e me faziam pensar e ver o meu certo e o meu errado, mas aí como um estalar de dedos me veio à cabeça uma pergunta: Afinal, qual é a moral de tudo isso? Não sei se eles acreditam que essas coisas ruins do Brasil vão mudar. Deu vontade de dizer: É assim mesmo que a gente vai viver, é nesse mesmo país, meus caros. Eu, particularmente, não confio nesse futuro que todo mundo espera/sonha um dia ter. De repente foi nisso que pensei e foi essa a minha convicção: O mundo não vai mudar. Tende a piorar, piorar, piorar. Mas há um motivo de tudo ser tão polêmico e apesar de abatido nunca deixado de lado, é que o futuro é extremamente incerto e as pessoas ainda acreditam que um dia vai deixar de ser esse inferno que já virou pra ser o mundo um lugar de paz e ai-ai-ai-ui-ui-ui. Eu sou mais realista, ou pessimista, se preferir.
O fato, no entanto, é que o tempo passa e tudo que percebemos é a regressão. Do país, da sociedade, de tudo. E cada vez menos a ética se mantém, e cada vez mais vemos tudo indo água-a-baixo, a consciência do ser-humano sumindo. Mas, assim que as coisas são. E tudo bem pra mim que as pessoas discutam e se importem (mesmo não sendo fortes o suficiente pra lutar pelo que se importam) com o que está acontecendo, mas tais discussões não trarão satisfação na prática. E se sim, é muito pouco.
Tenho certeza que temos aqui também muita coisa boa. No mundo e no Brasil. Mas nós sabemos o quanto as coisas ruins escondem as coisas boas, certo? Bom, tudo bem. Temos que rever as vezes os nossos conceitos e enxergar de todos os lados, expandir o máximo que pudermos a nossa mente quanto ao universo, quanto ao lugar que estamos prestes a passar o resto das nossas vidas.
Digo assim então, que levantei daquela cadeira como uma ridícula que graças ao senso comum escutou com tanto interesse tudo aquilo sendo que desde o início sabia que não tem saída, não assim, enquanto todo mundo estiver acomodado. E, como aponta o horóscopo, a comodidade é uma característica problema do Taurino.


Olá, sou do signo de Touro.


Rafaela Schmitt

Um pedido secreto e negado: Volta.

"Ficar bem nem sempre deixa outras opções. É estranho quando as coisas simplesmente têm de terminar. É o estágio onde todos os sentimentos já evoluíram para um nada. É o nada que você optou para parar de sentir dor. No início você briga, chora, faz drama mexicano. Então percebe que é cansativo demais manter esse jeito de levar as coisas. Acostuma-se.. Não que pare de doer, mas que cai no seu entendimento que às vezes perdemos algo e não há solução. No fim você coloca um sorriso no rosto e finge que é sincero, até que a vida o faça realmente ser. Talvez os amores eternos sejam amenos e os intensos, passageiros. É isso. "






É bem assim que acontece. É bem assim como eu penso. Essas palavras parecem tão minhas, tão minha vida, tão minha vontade. Mas lá bem no fundo no mesmo lugar onde houve um toque quando li meus pensamentos escritos por Caio, lá nesse mesmo lugar ainda guardo um pedido secreto e mentirosamente falso: Volta.
Mas não é dependência. É nostalgia. É falta, falta que sinto pra sempre. Não sei se falta é saudade. Tudo que eu sei com tanta certeza é que quero que tudo volte. Não vou e não vai voltar, mas era tudo que lá bem no fundo que nós sabemos, eu queria. Volta. Repete lá dentro. Volta. Volta volta volta. Lá dentro. Fica longe, fica longe longe longe. É oque fica na minha cabeça, não lá dentro.
Sabe essas noites tão frias que tem passado? Eu lembro quando a gente esperava elas há um tempo atrás. "Quero logo que chegue o inverno pra gente ficar junto." Agora, nada. E aí de noite, quando chega perto da hora de dormir eu fico pensando meu deus, como fazem faltas aqueles braços em volta de mim durante a noite. Como era bom, no verão, dormir junto, acordar um do lado do outro, no verão. Como seria bom se voltasse. E adivinha oque grita lá? Volta-volta-volta-e-fica-fica-fica-pra-sempre-aqui. É nostalgia e sentimento forte. Não é assim ó que vai passar. Mas eu vou acreditando que é, pra talvez daqui não muito tempo seja. De jeito ou doutro, sinto saudade e não vai embora. Sabe o que de verdade como é? Depois de ser o que é, tua alegria é o que me importa. É só isso.

quarta-feira, 1 de junho de 2011



Não vá olhar para trás
quando eu disser adeus.
Nós vamos deixar esse buraco para trás,
vou levar o que é meu esta noite.
Porque todos os dias perdidos
tornam-se chances desperdiçadas.



Simples e leve e solta


Me dei conta de que estava vazia, mas de um modo agradável; sem esperar por nada, nem da minha parte ou de nenhuma outra. Então, assim como quando surge uma nova ideia, uma coisa acendeu na minha cabeça e ouvi uma voz dizendo que não havia mais com o que me preocupar agora. Tão inevitavelmente me senti simples e leve e solta e tive vontade de aproveitar o máximo daquela sensação de "não estar querendo não existir".
Por que eu sei, assim como todos nós sabemos, que as coisas desse tipo se transformam em outras ou simplesmente passam. E eu não estava me importando com isso, o único desejo que tinha era que aquela vontade tão pacífica permanecesse por ali junto à mim um pouco mais.

Rafaela Schmitt.

terça-feira, 31 de maio de 2011

A última carta.


"Hoje eu acordei sem nada no estômago, sem nada no coracão, sem ter para onde correr, sem colo, sem peito, sem ter onde encostar, sem ter quem culpar. Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu olhei no espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa que pode realmente me fazer feliz." Tati B.

E se depois eu não voltar? E se eu tiver cansado? Eu te amo. Eu te amo, caralho. Se um dia tu amar alguém - E souber disso, por que quem ama de verdade sabe, sempre sabe - lembra desse tempo em que eu te amei. Amei mais do que eu podia um dia pensar em amar alguém. E ontem, depois de tudo que eu fiz, eu vi que era mesmo mais do que a verdade. Eu quero tua felicidade. Só que agora é diferente, eu também quero a minha. Vou dar um jeito nisso. Eu vou. Eu te amo, eu te amo e ponto. E já sei o que eu vou tentar fazer, mas não interessa.
Eu te pedi. Pedi uma única vez a mesma coisa que tu já teve de mim diversas vezes. Mesmo sabendo que seria quase impossível, fui lá, pedi, me arrastei, me matei dentro de mim na tua frente. Por que quando eu sai daquela porta depois de ter tremido que nem vara-verde e chorado que nem uma maluca sem me preocupar com tua irritação estampada no rosto - fui mais baixo do que imaginei que iria -, eu não tive mais vontade de chorar. E tomei uma das decisões mais importantes na minha vida. Ninguém mais me verá chorar por ti. Não verão mais eu falar de amor enquanto eu te amar. Ninguém. E eu tenho palavra. Eu não vou mais demonstrar tristeza. Não mais. Vou exibir minha eterna vontade de viver. Ha-ha-ha.
Eu tentei até o último momento, sempre achei que amar seria sinônimo de sofrer,mas nunca me passou pela cabeça que seria mais ainda enlouquecer; e por fim, apesar de tudo, amar é transformar todo o amor no desejo de que tu seja feliz. Só que hoje eu queria te esquecer. Queria ser tua amiga, alguém pra conversar, te ouvir, te abraçar com carinho e nada mais.
Pela última vez, aqui e pra ti, vou te falar. Eu te amo. E agora eu não tô mais aqui. Simplesmente não tô. Não quero estar. Eu sei como é, como iria ser se eu tivesse. Tudo sempre se repete, e nunca chega a lugar nenhum. A gente anda sempre em círculos, tu diz que a gente vai andar reto em diante mas a verdade é que sempre muda pra uma curva e assim a gente caminha até a chegada outra vez. Pra nada. Mas, olha, eu nunca disse que a gente ia andar reto. E dessa vez, presta atenção, eu quem tô dizendo: Agora é reto. Eu tô quebrando o círculo, por que cansei. Por que deve existir alguém mais no mundo pra mim. E tu sabe, eu cumpro minha palavra.

Eu não quero mais. O fim dessa lenga-lenga é aqui e agora. Por que eu também tô jogando tudo isso fora. Eu tô jogando fora, e não tô arrependida.


Rafaela Schmitt.

domingo, 29 de maio de 2011

Amor não é amor.


Talvez eu mude. Talvez eu continue a mesma, essa... que nunca conseguiu te fazer sentir. Talvez eu torne a me desprender, ou talvez isso seja tão difícil que nem venha a tentar. Talvez seja Amor, assim mesmo, com A maiúsculo, por que é próprio. E Amor diz que dói, mas qualquer amor dói, Amor ou amor, sempre dói. A diferença é que o amor sem A maiúsculo é mais centralizado e reconhece seu valor. Por isso eu acho que o que eu carrego nas minhas costas - e no meu cérebro, e nos meus braços, e nas minhas mãos, e nas pernas, e nos pés, e rins e pulmões e estômago e no meu coração e em tudo que resta em mim - é A-mor. Disseram uma vez - ou várias vezes, sempre dizem - que quem Ama não vê medidas, e procura em primeiro lugar a felicidade não sua, mas dele. Não importa o quanto ele faça de gato-e-sapato, o quanto te faça chorar, se ele estiver feliz, do jeito que for, já é uma recompensa. Parece uma coisa demoníaca, não? Pois é. E hoje quem chega a uma conclusão sou eu, muito mais elaborada, por tudo que há de racional e irracional em mim. Desistir é parte do Amor muitas vezes. Se não desistir, vou fazê-lo pegar nojo de mim (Existem pessoas com nojo de amor. Desentendidos de tal sentimento). Se eu desistir, vou ter que aprender a ser atriz. São opções difíceis, mas, como eu disse, quem Ama não vê medidas, e também, as vezes, desiste. É hora agora de dizer que não choro mais, de fazer piadas da situação, de perguntar e-aí-tem-ficado-com-alguém, e de se agarrar na solidão e abraçar o travesseiro nos meus momentos de carência por que não contarei sempre com o único abraço que sem saber sabia me acolher. É hora de ser forte. Pffff, é, forte (Parece até ironia). Mas, se formos ver, quem Ama muitas vezes também espera. E temos alguns anos pela frente, e as esperanças pra me alimentar, as esperanças vindas do passado, como um vento vai me carregar por aí não-sei-onde até chegar lá que eu também não-sei-onde. Talvez nunca seja o mesmo, talvez o filme todo se repita. Talvez tudo mude, eu, ele, a vida, a dor, a solidão, a necessidade... mas, o Amor, esse não vai mudar. Eu posso mudar, mas esse não muda, não passa, é impacto, é fidelidade, mas não muda, simplesmente porque Amor não é amor.

Rafaela Schmitt.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Hora de virar trapo

Levanta, vai.
Tem um novo dia, uma nova morte.
Acorda, sai lá fora e olha pra cima pra ti ver como o céu tá bonito hoje.
Tá escuro,as nuvens tão todas em pedacinhos, como migalhas.
Isso te lembra alguma coisa?
Vou te contar, me lembrou teu coração.
Pela milésima vez teu coração!
Irônico, não acha?
Dia de morte pra ti, dia de morte pro céu.
Ah, e aquele sonho anteontem, hein?
Tá prevendo futuro agora então.
Dá pra ganhar dinheiro com isso viu.
Assim nós vamos bem.
Bem mal, isso sim! Hahaha.
Chega de enrolar.
Olha, o dia agora tá claro e não parece mais com dor; não parece mais teu coração.
Vem cá, com tanto chororô e desistências e merdas e blablablá, por que não acaba logo com isso?
É tempo de desistir, cair no chão que nem um trapo e fazer a dor passar.
Não adianta pensar em fugir de casa, sumir, viajar, se matar.
Suicídio é coisa de fraco - é o que dizem - e tu é muito forte, não é?
Não, não é.
Seria uma boa, afinal.
Mas a morte é estranha... Já sei!
Enfia uma linha de pesca com um anzol na ponta dentro da tua garganta e arranca o que te traz dor.
Tu vai tirar a droga de dentro de ti do mesmo modo que entrou, pela guela mesmo.
Nada mais justo.
Acha que é loucura?
Talvez seja, ainda mais que vai sangrar.
Mas a única coisa que não tá sangrando ainda é tua pele.
Pra que esperar?
Mas vai fazer sujeira, e alguém vai ter que limpar... Tá.

É melhor não.


Rafaela Schmitt.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Cena

Parecia coisa de filme, aquele desespero tinha um ar tão teatral e falso
mas não havia público, platéia, nada, a cena que fazia era tão solitária
quanto ela mesma e sua dor.
Chorou como nunca havia
e pensando sempre na própria ausência procurava por um meio que não viria,
e sabia, mas se tivesse uma maneira rápida
dali em segundos sumiria.
Faria cessarem os batimentos do coração. Maldição!
Por que logo não morria?


Rafaela Schmitt

terça-feira, 17 de maio de 2011

16/05/2011

Eram dias daquilo e não se acabava, igual a realidade, não havia lugar pra onde correr. Eu olhava pros lados e via o vazio e na minha cabeça só passava uma coisa: quantos já foram, quem já foi, qual é a moral? Eu não sei qual era o motivo daquilo estar ocorrendo, mas sabia que havia algum motivo. Na companhia da minha melhor amiga eu perguntei: Será que fulano já morreu? Isso tudo era tão inadimissível. Em alguns dias tanta vida se acabou. Queria ajudar, queria salvar, libertar, mas não podia, então eu tomava de uma angustia sem tamanho, e no final tudo que me restou foi desesperança, eu estava me acostumando, como se fosse absolutamente normal. Depois de sair de lá, fui até a casa de um amigo meu e com muito medo eu disse: Não, é melhor ficar em casa! Eu não vou morrer, mas não sabia a situação dele. Só que se eu tivesse lá na hora certa eu também morreria sim. Ele também achou melhor. E lá estava eu no dia seguinte, chegando àquele inferno. Não se podia ficar à 2 metros dos corpos sendo carregados. A dor me consumia inteira somente por saber que ali, todo aquele sangue e os corações que agora já não batiam mais, poderiam ser de pessoas que eu gostava. Poderiam ser de amigos meus. Que levavam grande parte minha embora, também. Era completamente triste e eu não entendo agora como é que eu não desisti. Tinha tudo pra desistir, mas por algum motivo isso nem passou pela minha cabeça. Em meio a esse caos eu caminhei e procurei pela minha sala, buscando saber quem havia morrido. E quando perguntei ao cara com cara de médico que tava sentado ali sobre será que ele teria de morrer, ele não tirou os olhos de mim, não respondeu e então eu acordei. E nada fazia sentido.


Rafaela Schmitt

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Dez de maio

Eu acordei com os olhos pequenininhos e então escutei um som que vinha lá de fora, meio quieto, harmonioso mas triste, era o céu chorando por mim. Sim por mim e constantes eram as lágrimas que me acalmavam e assim dormi de novo sabendo que pelo menos o inalcançável me entendia naquele momento e além disso, esbanjava minha dor por cima de muita gente que nunca saberia que eu estava em cada gota daquela chuva.

e as vezes nossas fantasias não nos decepcionam no final, é bom acreditar no que não é tão verdade e melhorar.

Rafaela Schmitt.

Rabiscos de dias atrás

Isso não foi uma escolha, foi consequencia.
Com estas palavras digo que estou entregando à ti meu coração. Ninguém mais o terá,e se optar por me devolvê-lo, coisas a mais terão de ser feitas e inclusive este coração que agora te pertence, terás de ser forte. Não o desprezarei por qualquer que for a tua escolha, mas pense bem.

Sabe o que eu acho que eu deveria fazer? Jogar tudo pro alto. Preocupação, medo, insegurança. E ir atrás do que me deixa feliz. E eu acho que todo mundo deveria fazer a mesma coisa. E eu acho também que o mundo viraria uma bagunça mas quem se importaria com isso tendo a felicidade em mãos? Esquece todas as razões existentes no resto do mundo e vem ser feliz comigo! Vamos fugir, inventar, reinventar, explorar, descobrir, amar!

..

Loneliness


Daí o mundo vem gritando pra cima de mim que ninguém me enxerga e que nunca deixarei de estar sozinha, que do meu lado ninguém consegue permanecer por que eu não faço diferença e nada do que eu digo vai importar um dia pra alguém. De repente me vejo entregue a essa mentira que me atordoa a mente as vezes mais as vezes menos. Mesmo que lá no fundo eu saiba que não é assim, eu acabo acreditando por que já virou hábito e a sensação de solidão é extrema que prefiro nem me importar com o mundo e assim consequentemente não me importando se o mundo se importa comigo também, e coisas que talvez nem devessem ter valor são de maior impacto e alimentam cada vez mais e mais a minha solidão.

Rafaela Schmitt

segunda-feira, 11 de abril de 2011


Digamos assim que ela tenha feito de conta que foi equilibrada, paciente e tranquila. Na real foram mais ou menos umas mil e quinhentas vezes que aquilo quase saia da boca dela, começar sempre começava "Eiii! Eu.... é.... hm, eu gosto de ti, sabia?", mas não falava e não falava e parecia até que tinha medo de não sei o que, vai ver aquela enrolação toda fosse resultado da sua inexperiência com aquele tipo de palavra e expressão, quem sabe? Mas acabou que depois de inúmeras tentativas (que percebeu que só não deram certo por ter havido muita discussão mental sobre falar ou não falar) conseguiu dizer aquilo que estava pra dizer havia um bom tempo, e não se arrependeu, por que de fato sentiu que era verdade, e era importante até demais que ele soubesse disso e soubesse que por ter tido tanta dificuldade pra chegar até aquele ponto com certeza não era dito da boca pra fora nem nada assim. De algum modo pode-se até dizer que sentiu-se orgulhosa, sabia que não existia nenhuma pendência mais, nenhuma conversa deixada de lado, nenhuma palavra importante sem ser dita. Viu-se entregue completamente áquele momento e àquele abraço que a segurava, depois de sussurrar o mais sinceramente possível aquilo que não via a hora de dizer. Mas sabia qual era a verdadeira situação e mesmo assim tudo estava perfeitamente certo, e especial, diga-se de passagem. E não importava se o resto do mundo achasse o contrário, aliás, pelo menos pra ela nem existia o tal do resto do mundo. Acabou que foram embora e deixaram-se por uns dias, obra do destino, ou sei lá o que for, mas tudo esclarecido, e aparentemente, ele era dela e ela era dele. Estava marcado.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ex-futuras-belas-tardes-de-outono


Ela sentou-se, um dia depois, na calçada onde eles costumavam ficar pela noite, depois que jantavam, até de madrugada. Lembrou de algumas conversas que aconteceram ali, e um sentimento de culpa começou a tomar espaço, mesmo que nada tivesse feito. Aproveitou a situação pra culpar-se também por um fato meio impossível de se evitar.
- Burra, imbecil! - Repetia e repetia. Era o fato de amá-lo. Mas não sei explicar o que houve, ela parou, deitou ali mesmo e silenciou. Tudo era bom justamente por aquilo de que se culpava. Se viu estranhamente satisfeita por sentir aquela coisa toda. O que teriam sido dos seus dias durante todo aquele ano, sem emoção alguma, a mesma merda de vida que ela não via graça? E quem é que teria feito o tempo passar tão depressa mas causando a impressão de que ia tudo muito devagar? E quem teria conquistado seu coração? Poderia muito bem ter sido outra pessoa, mas não foi. Simplesmente não foi, por que não era pra ser. Era ele mesmo. E aí ela deixou cair algumas lágrimas mas aquilo que ela tava sentindo era tipo de um alívio, eu não sei. Olhou pro céu tão escuro e sem nenhuma estrela, e repetiu várias vezes em um tom de voz extremamente baixo: - É ele que eu quero, é ele que eu amo...qual é o mistério? - E se eu não soubesse da história eu diria: lá vai ela, dormir tranquila, acordar de manhã cedo e bater na porta da casa dele bem no horário que ele acorda, agarrá-lo pelo pescoço e falar bem alto que o ama, e aí ele retribuirá com um beijo que ela nunca vai esquecer, sem precisar de mais nenhuma palavra, eles vão ser felizes para sempre! Utópico? É, não é bem o que eu acharia, mais seria o que eu no fundo desejaria... A única coisa que fez foi pensar que não queria mais ninguém, só ele, e decidiu que queria voltar às belas tardes de verão - que se transformariam em "belas tardes de outono", mas que não seriam mais tão belas assim, já que nem haveriam tantas, com tanto bla bla blá e coisas pra fazer, coisas de quem leva a vida muito a sério, de quem acha que não vai morrer. Tomou uma pequena atitude já criando uma enorme esperança, sem êxito, sem dar em nada, e sem tempo não conseguiu dizer, expressar, demonstrar. Quem dirá a verdade talvez seja o tempo, mas vá que ele minta. Só sei que ela gosta que seja ele, e isso a faz não querer mais esquecer como já quis.

Rafaela Schmitt